Eu juro que achei que a sua avó não iria ver você. Ela nunca gostou de acordar cedo. Mas para minha surpresa ela apareceu. Não sei se por isso você estava tão agitado. Mexia sem parar, parecia estar dançando funk.

Lembro que o médico perguntou: vocês querem saber o sexo?

E disse que seria um menino.

Sua avó falou que seria para eu pagar os pecados, falou tanto de seu pai que até o médico achou que eu tinha sido um menino muito levado. Nem fui assim.

Hoje eu senti você perto. Juro que ainda não sei como lidar. É tudo muito novo e forte. Até um dia desses eu era filho. E hoje vou ser pai. Seu pai.

Você parecia um ET. Cabeçona. Barrigona. Pintão. Não parava quieto.

Nesse mesmo dia eu comprei um livro de histórias  de um vendedor que entrou na clinica para me oferecer. Era sobre a história de um jacaré que estava triste pois tinha asas e se sentir mal por ser diferente. Na historinha, o jacaré fugia do convívio dos outros jacarés porque se sentia muito triste de não ser igual. Até conhecer um pássaro que lhe despertou que na verdade ele não era um jacaré. Era um dragão.

“ as diferenças são dons.” Disse o pássaro.

Eu quero ser o pássaro na sua vida , meu filho.

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